Mais uma viagem interminável á unidade. Fui sozinha de manha. Assim que acordei só queria vê-las. Fiz o ritual do costume do avental e da desinfecção das mãos e quando chegueí vi que estavam a mexer na Inês, apressei o passo, queria ver de perto. Tinham acabado de lhe arranjar a encubadora. A enfermeira perguntou-me se lhe queria pegar!!!!!!
Pegar?!!!! Podia pegar na minha filha?!!!! Assim tão pequenina e tão frágil? Pensei que só lhe pudesse tocar através das aberturas da incubadora. E ela podia vir cá para fora? Não lhe ia acontecer nada de mal?!!!
A enfermeira acalmou-me. Disse que ela era mais forte do que o que parecia. E de qualquer forma o estar lá dentro naquela altura não significava que estava isolada. Era a sua caminha, com uma forma diferente.. ela estava a respirar sozinha e só tinha um tubinho apontado para o narizinho onde saía um pouco de oxigénio para ela não se cansar muito. De resto podia pegar nela desde que lhe continuasse a apontar o tal tubo ao nariz. E assim foi. A enfermeira enrolou a minha minuscula Inês num lençolinho de flanela, eu sentei-me numa cadeira encostada á incubadora e ela colocou-a no meu colo.Tinha todos os outros fios ligados, que lhe monitorizavam as pulsações, oxigenação, temperatura etc
Impressionante! mal lhe sentia o peso. Ela era tão mas tão pequenina. . Mas tinha a minha menina finalmente no colo.
Fiquei a admira-la. Era a MINHA FILHA! Era tão macia! Tentei dar-lhe um beijinho na sua carinha mas era tão pequenina. fazia-me lembrar um gatinho bébé.
Aqui neste video podem ver o tamanho das suas mãozinhas. Eram tão pequeninas:
A minha linda Beatriz continuava ligada ao ventilador, a recuperar do Pneumotórax e com aquela luz azul para a ictericia. Olhava para a sua encubadora de lado. O meu coração apertava. Será que algum dia poderia ter as Minhas Princesas no colo?
Nesse dia tive alta.
Tive de vir para casa e deixar as minhas meninas lá no Hospital.
Foi uma sensação das mais horriveis que senti. Tinha estado "acompanhada" durante 6 meses pelas minhas meninas. Sentia-as mexer dentro de mim. E agora estava em casa e elas não estavam comigo. É um elo que se quebra. Uma falta que faz. Uma sensação de solidão, vazio, tristeza, sei lá!
Ainda vim com os tiques que se ganham durante a gravidez. E dava por mim a fazer festas na barriga. Agora era uma barriga vazia!! Ás vezes até tinha a sensação que as sentia mexer...Impossivel, as minhas meninas já não estavam no quentinho. Estavam na sua casinha de cristal rodeadas de tubos e por um som horrivel de máquinas sempre a apitar e longe de mim... Nessa noite não dormi. Só chorei! Queria tanto que a manha chegasse. Queria tanto estar perto das minhas meninas..